Almanaque umdoistres

 Agosto 2015

Todas as publicações em  Almanaque umdoistres são de textos e imagens que circulam diariamente entre as milhares de Caixas de Entrada de grupos que compartilham e-mails entre si. O endereço umdoistres@umdoistres.com.br, desde 2003 faz parte de incontáveis Catálogos de Endereço no Brasil e exterior. Nada publicado aqui é de autoria de nossa equipe - salvo quando assinado.

          Agosto 2015   Julho 2015   Junho 2015   Maio 2015   Abril 2015   Março 2015   Fevereiro 2015   Janeiro 2015  

 Almanaque 2014   Almanaque 2013  Almanaque 2012  Almanaque 2011   Almanaque 2010   Almanaque 2009   Almanaque 2008  

Incrível vídeo de navio jogado no mar!
https://www.youtube.com/watch?v=E1_sKMDjd4w

Acidentes fantásticos envolvendo grandes navios.
https://www.youtube.com/watch?v=Iue2b5ARxuo

Pegadinhas, brincadeiras, exibições e malabarismos que deram errado.
https://www.youtube.com/watch?v=TzubE5Tsojc

Top 10 de demolições e implosões pelo mundo.
https://www.youtube.com/watch?v=XNGxnbATpNA

Os piores acidentes aéreas da história.
https://www.youtube.com/watch?v=0zKnUxIdQyk
 

A Catta Preta é pedra no sapato do neofeudalismo. Maquiavel e a lógica da máfia iluminam o caminho

Luiz Fávio Gomes, jurista e diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Estou no LFG.com.br e no twitter: @professorlfg

No nosso mundo neofeudalista (plutocrata, oligárquico e, frequentemente, cleptocrata) nem tudo é um mar de rosas. Mas o que importam são os fins, não os meios. A preservação dos nossos interesses está acima de tudo. Para uma organização mais que centenária que sempre viveu, em suas derrapagens criminosas, da “omertà” (que é o silêncio vigente nas máfias), esse negócio de delações premiadas está passando dos limites e fugindo do nosso velho e conveniente controle. Dezessete já foram feitas e agora anunciam mais 5. Onde tudo isso vai parar?

Os melhores “quadros” do nosso clube dominante estão sendo investigados, acusados e condenados. Não respeitam nem sequer os presidentes dos poderes. Recordemos: a prisão não foi feita para os senhores neofeudais. Esse negócio de igualdade perante a lei só vale para os iguais. Nós, os senhores desiguais, estamos acima da lei. Todos os nossos guerreiros (particularmente os da política) já estão em campo (ameaçando advogados, delatores, seus familiares etc.). Desde logo, Catta Preta (a advogada dos delatores) não pode continuar sendo uma pedra no nosso sapato. Convoque-a para a CPI (isso é juridicamente um absurdo, mas o que conta é a pressão), usem as táticas ameaçadoras da máfia e vamos dar-lhe um esculacho público. Outro passo importante seria o fechamento do seu escritório. Nos acusam de usar a moral das gangues, que apregoa o triunfo pela vingança, pela intimidação, pela opressão e para corrupção. Maquiavel ajuda a entender tudo isso.

O moderno pensamento filosófico-político do Ocidente tem como protagonista primeiro precisamente Maquiavel. O Príncipe é considerado um dos cinco livros mais importantes para se conhecer o pensamento político europeu moderno (os outros são: Leviathan de Hobbes, Second Essay de Locke, L´Esprit des lois de Montesquieu e Contract Social de Rousseau). Para ele a política [assim como toda dominação, como a nossa, neofeudal] é radicalmente autônoma frente à Ética ou à Religião. Política, Ética e Religião nem sempre se combinam. Mais importa a realidade (o realismo), o ser (os fatos como eles são), que o dever-ser (as coisas como deveriam ser). Se a Ética diz uma coisa e o pragmatismo político (da dominação) outra, deve o governante seguir o pragmatismo (o realismo) e abandonar todos os preceitos éticos (nesse sentido: Viriato Soromenho-Marques, A era da cidadania, Publicações Europa-América, 1996, p. 17 e ss.).

A condição humana (descrita por Maquiavel em 1513 e que continua mais atual que nunca) caracteriza-se pela contínua busca do poder. O humano (mais singularmente as classes dominantes) o que mais procura é a conquista, a conservação e a expansão do poder: “O desejo de conquistar é uma coisa muito natural e comum, e sempre que os homens que o puderem o fizerem serão louvados por isso, ou (pelo menos) não serão censurados”. Para alcançar e conservar esse poder não importam os meios. Por isso é que se diz que essa “antropologia competitiva, conquistadora e expansiva” do homem é potencialmente belicosa. A violência, a crueldade e a guerra podem ser justificadas (posteriormente), desde que seja mantido o poder.

O líder político [na verdade, todas as classes dominantes neofeudais] não pode nem deve jamais pautar a sua prática diária no governo como o indivíduo orienta seus assuntos particulares: “É tão grande a diferença entre a maneira como se vive e a maneira como se deveria viver que quem trocar o que se faz [o realismo, o pragmatismo] pelo que se deveria fazer [de acordo com a ética e a moral] aprende mais a perder-se do que a salvar-se”. Em outras palavras: se os donos do poder querem se afundar, é só trocarem o pragmatismo realista pela ética. Em pouco tempo perderá o seu Governo (seu domínio) (diz Maquiavel).

Mais ainda: “Quem quer viver exclusivamente como homem de bem não pode evitar perder-se entre tantos outros que não são bons. Portanto, é necessário a um príncipe [a todos que dominam] que queira manter a sua posição aprender a poder não ser bom, e a servir-se ou não disso de acordo com a necessidade”. Em outras palavras: o mundo da dominação é um zoológico natural, quem não souber usar a força do leão e ser astuto como a raposa naufraga.

Mais Maquiavel (para que não haja dúvida de compreensão do nosso pensamento):

1) Nunca, porém, pode o dominante demonstrar (a questão é de aparência) ser favorável à desonestidade, à corrupção, à violência, à crueldade etc. Ele é, por natureza intrínseca do negócio, tudo isso (há exceções, claro), mas não pode evidenciar nada disso (pois senão será odiado e/ou desprezado e perderá o poder, que é o máximo sonho dele);

2) Se o mundo político [e da dominação neofeudal] vive e convive intrinsecamente com toda essa indescritível frouxidão moral (com raras exceções, que existem), é um equívoco levantar contra eles a bandeira da Ética, da Moralidade etc. Nada disso pertence ao mundo deles. É um discurso para quem não escuta! Um dos maiores paradoxos, portanto, é falar em Comissão de “Ética”. Que Ética? Isso é algo que soa estranho aos ouvidos dos dominadores.

3) “Na verdade, quem num mundo cheio de perversos [esse é o mundo neofeudal], não há nenhuma dúvida] pretende seguir em tudo os princípios da bondade [da retidão, da fidelidade etc.], caminha para a própria perdição” (Cap. XV).

4) “… O príncipe desejoso de manter-se no poder tem que aprender os meios de não ser bom e a fazer uso ou não deles, conforme as necessidades” (Cap. XV).

5) As circunstâncias podem conduzir o governante a se afastar de algumas qualidades (se necessário). Mas quando isso ocorre, “cumpre-lhe ser bastante cauteloso para saber furtar-se à vergonha das que lhe ocasionariam a perda do estado [do poder] e, em certos casos, também à daquelas que não lha ocasionariam [a perda do poder]” (Maquiavel, Cap. XV).

P.S.: Observação final: Maquiavel não é um monstro de imoralidade (ele não disse que todos os políticos e os poderosos dominantes devem ser corruptos, ladrões etc.). Ele apenas descreveu o significado da imoralidade, da corrupção, da crueldade e da bandidagem para a política e para a lógica da dominação (ou seja: para a luta pela conquista, conservação e expansão do poder).

========================================================================================10 10 passos para a prisão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

1. Julio Camargo (lobista das empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobras), em delação premiada, diz que pagou 5 milhões de dólares de propina ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Fernando Baiano teria levado outros 5 milhões. O doleiro Alberto Youssef já tinha mencionado o deputado como beneficiário de corrupção.

2. A delação só se converte em prova válida quando confirmada por outras provas. A palavra isolada do delator não permite nenhuma condenação. Se tudo for confirmado em juízo (de acordo com o direito vigente), Eduardo Cunha (certamente) irá para a prisão (por muito menos vários deputados petistas passaram pela chamada universidade do crime). A questão é saber quanto tempo isso vai demorar (com a Justiça morosa que temos).

3. Mas não cabe prisão preventiva contra deputados e senadores, desde a expedição do diploma respectivo (CF, art. 53, § 2º). Só podem ser presos em flagrante, em crime inafiançável. Fora do flagrante, nenhuma outra prisão cautelar (antes da sentença final) cabe contra deputado ou senador, os quais compõem uma das castas mais protegidas do país. São (quase) intocáveis.

4. E se Eduardo Cunha (ou qualquer outro parlamentar) ameaçar testemunhas ou delatores ou tentar ocultar provas? Esses são os principais motivos constitucionais para se decretar a prisão preventiva de qualquer mortal, salvo de alguns acusados privilegiados, como os parlamentares (que são tratados como cidadãos distinguidos – trata-se do direito penal “muy amigo”).

5. O que cabe imediatamente contra Eduardo Cunha que estaria se valendo do seu poder (do seu cargo) para coagir testemunhas ou seus familiares e ocultar provas? A polêmica é grande, mas não há dúvida que ele poderia ser afastado da presidência da Câmara, nos termos do art. 319, VI, do CPP (a medida só poderia ser decretada pelo STF, a pedido do Procurador-Geral da República) (o justo receio do uso do cargo para a prática de infrações penais seria o fundamento).

6. Em nenhum país do mundo menos corrupto (os 10 melhores colocados no ranking da Transparência Internacional) a presidência da Câmara dos Deputados seria ocupada por alguém acusado (com provas mínimas válidas) de ter recebido 5 milhões de dólares de propina. A cultura desses países (do império da lei e da certeza do castigo) é totalmente distinta da permissividade que vigora nos países plutocratas, oligarcas e cleptocratas como o Brasil (onde está difundida a ideia e a ideologia de que os privilegiados estão acima da lei).

7. A prisão de Eduardo Cunha (se todas as acusações ficarem provadas) só deverá ocorrer depois de condenação criminal com trânsito em julgado. Antes disso, tem que acontecer uma acusação formal (denúncia) do Ministério Público. A denúncia deve ser formalmente recebida pelo Pleno do STF. Enquanto os deputados e senadores são julgados pelas Turmas da Corte Máxima (1ª ou 2ª: o caso Petrobras está na 2ª), o presidente do Senado ou da Câmara é julgado pelo Pleno (11 ministros).

8. Ninguém pode ser condenado criminalmente sem provas válidas. As provas são produzidas dentro do devido processo legal. Depois da condenação penal definitiva cabe à Câmara decidir sobre a perda do mandato parlamentar (CF, art. 55, § 2º).

9. Na condenação o STF define o tempo de duração da pena de prisão assim como o regime cabível (fechado, semiaberto ou aberto).

10. Logo após o trânsito em julgado a Corte Suprema emite a carta de guia e o condenado começa a cumprir sua pena, em estabelecimento penal compatível com o regime fixado.

Conheça paisagens incríveis vistas da janelinha dos aviões

Imagens históricas legendadas da queda de Saigon, que marcou o fim da Guerra do Vietnã que em 2015 completa 40 anos.