NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS

Por Alcindo Garcia*

Com saúde e fins de semana sem chuva costumo deixar São Paulo e curtir as maravilhas do interior e me dou conta de que mesmo pagando em dia meus impostos municipais, estaduais e federais, inclusive o IPVA do meu carro, ainda assim não estou livre de mais impostos. A palavra “imposto” já é antipática, pois significa uma imposição que não foi pedida. Aqui me refiro aos pedágios nas estradas. Tem estrada que tem um em cada três ou quatro quilômetros. São cancelas, às vezes mais de uma, até três ou quatro guichês, com cobradoras simpáticas que nos enchem de moedinhas como troco.
Descobri a origem do pedágio. Começou nos filmes de caubói com John Wayne. Os filmes revelam que a idéia da criação do pedágio foi dos índios peles-vermelhas, sendo provável que o cacique Touro Sentado, da tribo Comanche, tenha sido o mentor intelectual.
Os primeiros veículos a pagarem o pedágio eram as diligências, carroças fechadas para transporte de passageiros na época. A cobrança era feita de forma inusitada. Surgia no meio da poeira e a galope, um grupo de índios que cercava a diligência para arrecadar a taxa. As carruagens levavam sempre no bagageiro um cofre com valores para pagamento do pedágio. Assim que os cocheiros atiravam a caixa no chão, os cobradores davam tiros no pequeno cofre para romper o cadeado e recolher o tributo. Quando a quantia existente no cofre era insuficiente, os passageiros das diligências eram gentilmente convidados a contribuir com carteiras, jóias e relógios. Em seguida, os índios davam alguns tiros para o ar e batiam em retirada, sempre a galope, numa gritaria infernal, festejando o faturamento do pedágio. Consta que o negócio foi tão rendoso que os caras-pálidas passaram a explorar o setor, que pelo valor cobrado hoje estão repetindo no tempo das diligências, feito em dólares.
Neste país campeão de impostos e ligeiro no gatilho, qualquer semelhança não será mera coincidência.


*Alcindo Garcia é Jornalista - e-mail: alcindogarcia@uol.com.br