Passagem

Por Professor Nelsinho*

Naquele dia, a conversa entre os habitués da Lanchonete Central demonstrava falta de equilíbrio psíquico, ou seja era mórbida. O Alfredinho, como de costume, dava suas pitadas: detesta velórios e procura evitá-los, mas às vezes, quando se trata de um parente, de um amigo e até de um inimigo, não há como fugir. Coloco – diz – a cabeça do travesseiro e fico pensando quantos amigos e parentes já não se foram. Agora mesmo, pela internet, apareceu Marcelo Rezende e disse que a coisa do lado de lá não é tão ruim como pensam. É até prazeirosa. Por exemplo, todos os sábados, aqui no alto,há shows de fazer inveja a qualquer ser vivo. No próximo, haverá um festival capitaneado pela Hebe Camargo e com a presença das badaladas atrizes e cantoras como Elis Regina, a Pimentinha, Nelson Gonçalves com sua indefectível fica comigo esta noite, Chico Viola, o cantor das multidões, Vando com as calcinhas de todas as cores e até Vicente Celestino, para os mais velhos, muito velhos. Marcelo convida: façam uma forcinha, venham para cá, não vão se arrepender, o show será inesquecível. Alguém se habilita? O nosso amigo Paraná, expoente da Visa, relembra seus amigos: O Xoxó, companheiro de trabalho e de copo; o Vivaldi, grande empresário; o Moisés, amigo do Timbira e sócios em alguns empreendimentos; o Hélio Neves, poderoso do Safrão e bom no snooker, mais até que o próprio Alexandre, o Grande de Assis; o Morcego, célebre zagueiro da Ferroviária; Armando e Mingo, também jogadores de futebol e dos bons; o prof. Waldir, querido dos alunos e um dos fundadores do chateau; o Massaud, também conhecido como Massud, companheiro do cafezinho no Shoping e fanático defensor do Lula, que chamou os turcos de Brimos, entusiamando a família árabe; O Edgard e o Ulisses Benozatti, o primeiro brilhante advogado e o segundo, cirurgião dentista a seu dispor, além de administrador do Clube Recreativo, que logo vai ter um dono só. Como aconteceu com o Clube Sírio. Lembram-se? Lá no Paraíso é possível formar, só com a turma de Assis, uma Av. Rui Barbosa inteirinha, uma Vila Xavier e até uma Vila Operária, sem se esquecer da Prudenciana. Vocês já pensaram num Bar administrado pelo bondoso Mineiro cercado do João Nogueira, Valdir e Totinha Bompani , além do Juvenal, o homem mais bonito da Marmontel, segundo as más línguas. Alguém duvida? Estarão lá o Tonico Japonês e o José do Fumo ( o apelido é pela comercialização do produto), advogado, comerciante e fascinado por uma cervejinha. Não pensem que estamos falando para denegrir a imagem desses velhos assisenses que se foram. Nem para achincalhar os cantores e artistas que brilharam neste mundo. Ao contrário. É para relembrar sempre a amizade que eles deixaram e a saudade estampada no coração de todos. Temos certeza que estão no Paraíso. Uma pinguinha a mais, um uisquizinho ou uma vodca, um flerte, uma namorada, um palavrão sem malícia, nada disso pode levá-los à danação. A lembrança de todos eles está incrustada, perenemente, nas almas dos cidadãos de Assis. Estão todos bem. E Como diz o Marcelo Rezende, sábado vai ter espetáculo. Alguém quer ir? A passagem é só de ida.

*Nelson Henri - nelson.henri@uol.com.br