A COMUNICAÇÃO ORAL

Por Alcindo Garcia*

O rádio traz muita fantasia. Certa vez uma senhora foi à rádio. Queria me conhecer pessoalmente. Eu estava de saída ao lado do diretor. Ela perguntou por mim. O diretor me indicou – É este aqui. “Nossa, pensei que fosse um Tarzan”! Para mim, um balde de água fria! Faço leituras na minha Igreja. Talvez por ter vindo do rádio. Fiz dublagem. Uma vez dublei o Chalston Heston num filme que estava em cartaz nos cinemas. Fiz leitura na igreja e na saída uma senhora veio me dizer que minha voz parecia a do Chalston Heston. Nunca mais fiz dublagem! A coisa pega! A Comunicação tem seus segredos para ser convincente. Na comunicação oral há que se ter certa inflexão na voz quando ler um texto em que uma frase esteja “entre aspas”. Nessa inflexão de voz, o ouvinte vai perceber que ele está reproduzindo um pensamento que não é dele mas que foi emitida por alguém. Por isso há que se dizer “abre aspas” e no término “fecha aspas”. O ouvinte não está lendo o texto, mas sabe que as supostas “aspas” que ele não vê, estão sendo ouvidas no comunicado. Tem que se ater ao tipo de público a quem é dirigida a mensagem. O Wliliam Bonner faz isso muito bem..
A Comunicação honesta jamais deverá fugir do estilo clássico quando emitida ao público ouvinte. Nessa hora o Comunicador se torna o porta-voz muitas vezes dos anseios de quem o ouve. O Comunicador é aquele que desempenha um papel de sujeito dentro desse processo de Comunicação.
Em se tratando de uma autoridade pública, além do preparo daquilo que vai dizer, seu improviso deve ter tido sempre uma consulta aos assessores e profissionais de marketing e até mesmo orientação jurídica, além de um tom de voz que agrade aos ouvidos e não o irrite, gritando como se falasse a deficientes auditivos, pois o acompanha sempre quem fale em libras. Manter sempre certa sonoridade na voz para cativar e nunca para irritar o ouvinte aos gritos, mas com a calma que uma autoridade pública, principalmente em se tratando de um representante do Estado e até mesmo de uma república.
Infelizmente não é o que se vê diariamente pela TV. A maior autoridade do país responde perguntas de jornalistas de forma grosseira, estúpida, encerra entrevistas de forma abrupta e chega até a ofender repórteres Pega mal!...


*Alcindo Garcia é Jornalista  - e-mail: alcindogarcia@uol.com.br