HÁ UMA MULHER EM SUA VIDA

Por Alcindo Garcia*

Com a recente crise econômica estão surgindo as mais variadas “profissões” para a sobrevivência de tais “profissionais”. Recentemente o Papa Francisco criticou quem faz o “serviço” e quem paga “para fazer” e com isso comprar esperanças, que não passam de mentiras, pois a nossa esperança deve estar sempre em Deus e não na previsão desses videntes aproveitadores da ignorância alheia.
O Papa Francisco disse que via isso quando era Cardeal em Buenos Aires e passava sempre por uma pracinha onde ficavam as adivinhadoras. Via os ansiosos dar a mão para a leitura e comprar esperanças que nunca sucederiam. Pagavam para isso. Falta de fé em Deus, disse o Papa. Só Deus poderá nos acrescentar o que precisamos desde que abandonemos as crendices e superstições da vida.
Conferi isso com o que o Papa Francisco disse. Passo sempre pela Praça da Sé. Nunca vi tantas adivinhadoras nos pegando pelo braço e pedindo para “ler nossa mão”. Comigo não. O Papa tem razão. A conversa delas é sempre a mesma. “Há uma mulher em sua vida”. Claro que há. Sou casado há 30 anos. Uma vez eu parei para engraxar os sapatos na praça. Ao meu lado uma dessas “videntes” lia a mão de um ansioso passante.
A conversa, sempre a mesma. “Há uma mulher em sua vida”. “Vai ganhar na tele-sena. O cidadão ali, ansioso, com aquele sorriso de crente em tudo o que vai escutando. “Essa linha aqui indica que você está no caminho certo”.
Dou uma olhada na cara do babaca, cuja mão está sendo “lida”. Ar de irradiante felicidade. Final da leitura. “Quanto eu devo?”. A resposta é sempre a mesma – pague o que quiser, mas seja generoso senão, não vai dar nada certo. Vinte milhas, tá bom? – Resposta – Sim. E a leitora de mãos vai embora, em busca de novos clientes, feliz da vida. Faturou alto.
Parece que o que mais alegra os consulentes é quando a linha da mão sendo lida indica que “Há uma mulher em sua vida”. “Será ela”? Dirá com seus botões o idiota. Vale pagar qualquer preço desde que “haja uma mulher” na vida dele. Vinte reais, tá bom? Claro que está. O faturamento da adivinhadora vai dar até para ela encerrar o expediente. Freguês é que não falta. Parece que o que está sempre faltando é “aquela mulher” na vida de cada trouxa.


*Alcindo Garcia é Jornalista - e-mail: alcindogarcia@uol.com.br