POLÍTICA: QUAL O LIMITE TÊNUE ENTRE COMÉDIA OU TRAGÉDIA?

 

Por Márcio Alexandre da Silva*

 

Revisei o artigo abaixo, pois o tema é interessantíssimo e atual.

Às vezes – quase sempre – não consigo perceber qual o limite que separa o cômico do sério na política. Onde está o fio divisor da comédia e da tragédia no universo político? Alguém sabe? Pois eu, sinceramente, afirmo não saber.

Parei de assistir a programas humorísticos e ler revistinhas de piadas e assuntos policiais. Agora só leio e ouço notícias sobre política. É mais hilário e trágico.

A definição do termo política, no grego antigo, é πολιτεία (politeía), e diz respeito a atitudes relativas a polis, ou seja, tudo que é feito em favor das cidades, ou de interesse geral.

Aristóteles afirma que política “visa o bem comum, objetivo que deve ser buscado por todos”.

Tenho uma definição mais humorada e séria de alguns políticos. Certos políticos são pessoas “brincalhonas” que cuidam de assunto sério. Gostem ou não dessa definição, foi a que elaborei para definir determinados políticos.

As comicidades políticas acontecem em todas as esferas, municipal, estadual e federal.

Certa vez, numa Casa Legislativa de uma cidade aqui da minha região (Vale do Paranapanema – interior do estado de São Paulo), estava em discussão o crescimento da criminalidade na nossa microrregião. Determinada pessoa que exerce a função legisladora (que preservarei o nome) pede a palavra para citar como Londres conseguiu combater os crimes. Com todo respeito aos Policias Militares, que na sua maioria são honestos nas suas funções, mas, comparar o aparato militar da polícia paulista, com a londrina. Só pode ser piada, ou não? Mas, ela, somente ela falava sério?

Agora, um ato cômico aconteceu recentemente, que isso fundamenta a minha tese: “Alguns políticos são pessoas cômicas que cuidam de assunto sério”. Exemplo disso é que, há pouco, um deputado de esquerda, condenado por formação de quadrilha pelo Supremo Tribunal de Federal (STF), assumiu o cargo de Deputado Federal. E mesmo que ainda caiba recurso, o bom senso pediria que ele não assumisse cargo público algum, pois, agindo assim primaria pela ética, bandeira levantada nos primórdios deste partido – PT. Outro absurdo: “Líderes jovens da mesma sigla promoveram jantares para pagar indenizações dos condenados pelo Mensalão”. É ou não é trágico e cômico?

Essas e outras manchetes, vistas, lidas e ouvidas na maioria dos jornais brasileiros são piadas ou tragédias?

Qual a sua opinião?

 

*Professor de filosofia. Morador da Prudenciana: professormarcioalexandre@hotmail.com