RAÍZES CULTURAIS

 

Por Valmir Dionizio*

 

As dificuldades próprias ao mundo atual têm raízes na cultura, na sociedade. Os desafios que enfrentamos são enraizados em nossa atual sociedade.

Há muitos anos, víamos uma cultura de valorização de anti-heróis, drogas, corrupção, violência. Víamos a valorização do Ter em detrimento do ser, víamos tanta confusão, tantos enganos... De lá para cá nada mudou, nada ficou melhor. Ao contrario, essas coisas pioraram, tomaram feição de pandemia. Mais droga, mais corrupção, mais violência, mais do que Ter, agora é importante também “aparentar” Ter.

Refletindo sobre isso, constatamos que os problemas que atingiram as últimas décadas do século XX continuam presentes, e agravados, em vez de caminhar para possível solução.

Estamos todos um tanto perdidos, assustados e com medo. Sabemos o que é bom para nós, mas não vemos como atingir o que queremos num mundo violento, agressivo, materialista, de falsas aparências e sem modelos que nos inspirem. Assistimos ainda a desagregação nas famílias, vemos leis sendo ignoradas ou descumpridas, o sexo vinculando apenas o prazer e desligado do respeito, da admiração e do verdadeiro amor.

Assistimos à desvalorização da vida e à exclusão de Deus da rotina do cotidiano. Vemos pessoas vivendo em busca de realização própria, de bens materiais e de prazer a qualquer custo. Neste ambiente esta sendo formada a personalidade do jovem de hoje, que vive o excesso de permissividade, de competição, de disputa, de consumismo, e convive com a insegurança e o medo. Persistem com a falta de orientação, de limites, de valores éticos, de modelos e a ausência do respiro e do amor ao próximo.

A proposta de prevenção e qualidade de vida do Amor-Exigente determina que vivamos, pelo menos durante uma semana, focalizando nossas raízes culturais, num destes aspectos:

O individual - relação comigo mesmo; O familiar - relação com o outro; O exterior - relação com o grupo, com a sociedade.

No primeiro aspecto, sabemos que não é possível falar de raízes culturais sem olhar para nós mesmos e perguntar: - Quem sou eu? - Que tipo de pessoa eu sou?

Eu, comigo mesmo, numa reflexão profunda, lúdica e honesta, devo fazer uma avaliação pessoal, buscar autoconhecimento, inventariar minhas características comportamentais e minha identidade pessoal.

O segundo aspecto é focalizar nossa família. Família para nós pode ser a comunidade fundamentada no matrimônio, na consangüinidade, ou o grupo de pessoas com quem convive.

O ponto de partida para um trabalho de prevenção é: falar a mesma língua. Pais, avós, tios, todos precisam agir da mesma maneira, conduzir as crianças para o mesmo rumo; conscientes de que o consumismo, a pornografia, o tabaco, o álcool e outras drogas, incluindo os medicamentos sem prescrição médica, representam real perigo e devem ser tratados com seriedade e cautela, especialmente em relação a crianças que têm pavor a dor e/ou não resistem a contrariedades.

Cultivar a memória dos nossos, as crenças, a culinária, não deixar morrer as tradições, os exemplos dignos e corajosos de nossos antepassados é um trabalho de prevenção posto como modelo diante de nossos olhos.

Modelo próprio, atingível. Para realizar essas coisas, como almoço aos domingos, em datas significativas, a celebração de nossas pequenas vitórias. Tornemos sagrados alguns momentos, alguns hábitos cuja lembrança possa levar para sempre.

Temos constatado que nas famílias que se reúnem num momento como que “sagrado” para, por exemplo, tomar café da manhã, almoçar e/ou jantar, juntos, conversando, sem televisão ligada, todos têm menos chance de assumir comportamentos inadequados.

Afirmamos sem medo de errar que, se aplicarmos as orientações da Prevenção e Qualidade de vida do Amor-Exigente, poderá até não impedir que nossos filhos experimentem ou comecem a usar drogas, mas percebemos, rapidamente, o comportamento inadequado deles e saberemos agir para que não se tornem dependentes.

Não é só a droga, porém, que destrói os relacionamentos familiares, pois existem intolerâncias, implicâncias e/ou apegos a coisas bobas que tornam nossa vida muito mais difícil e pesada.

Há valores que são fundamentais e insubstituíveis, porque trazem paz, alegria e auto-estima elevada.

O terceiro aspecto a ser trabalhado é o exterior, o comunitário.

Desta vez, devemos considerar: conhecimento, comunicação, desprendimento. Sem “achologia”, sem egoísmo, devemos sair de dentro de nós para buscar a realidade e conhecer os problemas do mundo em que vivemos.

É fundamental falar, ouvir, entrar em comunhão e, desse modo, cultivar a interdependência, nada de independência ou isolamento, nem dependência ou submissão, mas real comunicação ou interdependência. Aí entra o desprendimento

O desapego, que temos a libertação, de fato. A liberdade para fazer boas escolhas, mudar de rumo e trilhar novos caminhos passa pelo desapego.  Lembremo-nos de que, de certa forma, os problemas sociais e culturais que enfrentamos estão sendo cultivados por todos nós.

Sofremos também por causa de pessoas inseguras, cheias de medo e frustrações ou muito intransigentes, que não se comunicam e se posicionam radicalmente. Não querem assumir mais compromissos ou buscar soluções; algumas querem prender, matar; outras, libertar, proteger.

Vamos definir com clareza nossa posição, assumir nosso papel e fazer nossa parte. É muito importante questionar, refletir juntos sobre a proposição do princípio que estamos estudando, e tomar uma posição, com vistas a uma qualidade de vida cada vez melhor.

 

 

*VALMIR DIONIZIO - VOLUNTARIO  -

ASSOCIAÇÃO ASSISENSE DE AMOR-EXIGENTE.

RUA BARÃO DO RIO BRANCO Nº 250, CENTRO - ASSIS/SP.

Todas as Quintas-feiras -  20:00 horas.