A REPÚBLICA DE BARBA

Por Alcindo Garcia*

A barba faz parte da História do Brasil. Desde o tempo em que o fio de barba era documento de fé pública. No Brasil Colônia, D. Pedro I já usava espessas costeletas e um bem cuidado cavanhaque. Nunca precisou provar com um fio de barba ser o autor do brado retumbante. O sucessor, D. Pedro II, honrou a barba na cara e fez sucesso. Abriu os portos brasileiros às demais nações.
A República já nasceu com barba. A cara do marechal Deodoro da Fonseca é um comprovante. Quando não se usava barba, era indispensável ter bigode e cavanhaque para poder mostrar um fio - se necessário. Floriano Peixoto? Nem pensar de raspar a barba. A barba de Prudente de Moraes era tão espessa que escondia a usual gravata borboleta. Foi um excelente administrador. Campos Sales nunca precisou provar com fio de barba, sua promessa de restaurar financeiramente a República. Ele o fez. Rodrigues Alves era íntegro, aparava a barba e honrava o grisalho cavanhaque. Consta que ocupou a presidência com inegável competência.
O presidente Afonso Pena além do bigode usava elegante cavanhaque. Realizou obras de grande importância. O mineiro Wenceslau Braz não aparava a barba. Governou bem, embora enfrentasse embaraços que herdara do governo anterior. Outro republicano a usar bigode e cavanhaque foi Washington Luiz. Foi deposto por Getúlio Vargas, um ditador sem barba. Washington Luiz honrou a barba até no exílio. Juscelino nunca abandonou a gilete. Foi um presidente que raspava a barba. Não precisava dela. Entre os sem barba, dizem que o JK foi um dos melhores que tivemos. Depois de uma temporada com os sem barba no poder, a República herdou o José Sarney e seu clássico bigode.
Daí surgiu o Luiz Inácio, usando barba aparada. Terminou seu mandato desastroso, sempre atacando a imprensa por divulgar a corrupção. Foi preso mas goza de regalias que o preso pobre não tem. Com todo respeito aos antecessores barbudos que honraram esta República, daqui pra frente o fio de barba não vale mais como documento.


*Alcindo Garcia é Jornalista - e-mail: alcindogarcia@uol.com.br