COPA DO MUNDO E PLANOS DE SAÚDE

Por Alcindo Garcia*

Foi só começar a Copa do Mundo para a ANS (Agência Nacional de Saúde), cabide de emprego do governo, autorizar mais um aumento nos planos de saúde. Gol contra o consumidor. Vale aqui contar uma história. Odorico da Silva (nome fictício) pagou a vida inteira um plano de saúde e quando precisou de uma prótese, descobriu que não tinha cobertura, coisa comum nesses planos.
Seo Odorico se preparava para ir até a vila de Santana do Brejo Seco, comprar sementes na Casa da Lavoura. Arreou a besta e montou para seguir viagem. Passou uma abelha zunindo no ouvido da mula que se assustou e num pulo derrubou da sela o seo Odorico. Seo Odorico caiu da mula e quebrou o fêmur. Gritando de dor foi acudido pela vizinhança e levado para o Hospital Santa Máfia. Passou por uma cirurgia e precisou de uma prótese. O plano de saúde não cobria e seo Odorico teve que se valer da poupança para pagar por uma prótese de metal.
Teve alta, mas a dor continuava e ele não conseguia ficar de pé. Foi a outro hospital e ao passar pelo raio X descobriram que não havia prótese nenhuma no fêmur do seo Odorico. Ele processou o Hospital Santa Máfia, pedindo o ressarcimento do que pagou, alegando que durante a cirurgia, o cirurgião não colocara a prótese. Em entrevista coletiva, o diretor médico do hospital defendeu o procedimento cirúrgico, alegando tratar-se de uma “metalose”. Segundo ele, “metalose” é quando o organismo absorve a prótese de metal e este, uma vez diluído, é expelido pela urina. Explicou aos repórteres que a prótese teria sido expelida de forma líquida pela urina, daí o seu desaparecimento. Para o diretor do Hospital Santa Máfia era mais um caso de “metalose”.
Os advogados do seo Odorico reagiram com provas científicas de que não existe na história da medicina nenhuma doença chamada “metalose” e que o Hospital Santa Máfia deveria restituir o que recebeu, pois seo Odorico já passara por uma segunda cirurgia, em outro hospital, e estava bem com uma nova prótese.
O Juiz, novato na magistratura, rejeitou os argumentos, dando ganho de causa ao Hospital Santa Máfia. Na mesma sentença prolatada, o juiz decidiu que o “portador da metalose” deverá arcar com as despesas do processo. Essa é minha história. Quem souber que conte outra. E vamos torcer pela Copa do Mundo.


*Alcindo Garcia é Jornalista  - e-mail: alcindogarcia@uol.com.br