Terra de trouxa

Por Dagoberto Nogueira*

Desde que me conheço por gente escuto esta frase que muito me incomoda e, segundo a qual Assis é conhecida como "terra de trouxa". E isto propagou-se. Já ouvi relatos de pessoas de bem que foram caçoadas neste longínquo Brasil quando se identificavam como sendo assisense. "Ah! Você é da terra de trouxa?" diziam.  Segundo o saudoso e respeitável historiador assisense Luiz Gonzaga Camargo Pires, o “Seo Luiz da Vamos Ler”, este rótulo começou na construção da ferrovia (EFS) Estrada de Ferro Sorocabana (1915-1971). Depois de concluírem Assis (1914), os ferroviários prosseguiam a construção, rumo a Presidente Epitácio.

Como não havia "marmitex" naquela época, as esposas dos ferroviários estabelecidos em Assis preparavam a refeição e embrulhavam as vasilhas com toalhas ou longos guardanapos para conservar a comida quente ficando assim parecidas como pequenas trouxas. Essas trouxas eram enviadas pelo trem passageiro, que era mais rápido. Quando chegava ao destino, nas proximidades de Paraguaçu Paulista,  o chefe do trem saia na porta do vagão e gritava "chegou as trouxas de Assis". Era aquela correria. Quando o trem atrasava causava furor entre os ferroviários. Segundo nosso historiador, alguém mal intencionado distorceu e espalhou por toda ferrovia, entre São Paulo e Presidente Epitácio, que  Assis era "terra de trouxa".

Porém há quem garanta que verdadeiro motivo é outro. O legítimo assisense sempre foi muito amigável, atencioso, integro e isto teria atraído oportunista e estelionatários para se aproveitar. Infelizmente, assim como em outras cidades Brasil afora, Assis sempre é escolhida por estes patifes para aplicar todos os tipo de golpes e que muitas vezes acabam se dando bem. Entre tantos outros "contos do vigário" aplicados que se tem notícia um, que na minha opinião não passa de mais um golpe, sempre me chamou a atenção; os chamados "diplomas de consagração publica". Não me recordo o ano,  mas teve uma época em que vendiam o tal diploma e ainda faziam grandes festas para a entrega dos diplomas às custas dos “diplomados”, é claro. A ousadia era tanta que chegavam a afirmavam aos comerciantes que teria sido feita uma "pesquisa" de opinião publica que na verdade nunca existiu. Antigamente, estes "diplomas" eram adquiridos em qualquer papelaria bastando apenas colocar o nome do estabelecimento, enquadrar e colocar na parede.

Mas, o pior de tudo na "Princesinha da Alta Sorocabana" são os políticos. Assis sempre teve políticos que se passavam como representantes da terra e nunca, em muitos e muitos anos trouxeram um beneficio sequer para a cidade. Era um "mar de rosas" para eles. (tiro da lista José Santilli Sobrinho) Levavam o voto dos "trouxas", faziam um  discursinho aqui  ali e bay, bay, corriam para seus verdadeiros redutos eleitorais. Hoje ainda isto acontece em nossa cidade, infelizmente. Políticos de outras cidades, que não tem nenhuma afinidade com Assis aportaram aqui nos últimos anos pagando "assessores" para divulgar seu nome. Esses "oportunistas do acaso" só poderão ser extintos se os eleitores da cidade se conscientizarem de que já passou da hora de elegermos nosso deputado estadual e nosso deputado federal. Sim, Assis pode! Os assisenses precisam sair dessa amnésia que tomou conta da política local nos últimos anos.

Não é possível que mais uma vez a falta de bom senso e diálogo sejam entraves para clarear o pensamento das lideranças da cidade. Raciocinem comigo: um deputado em São Paulo, outro em Brasília representa a garantia de que os pleitos de Assis serão priorizados, assim como fazem os deputados de outras cidades. Se mesmo sem políticos que nos representem exclusivamente na Assembléia e em Brasília a cidade vem experimentando crescimento significativo, imaginem se estiver bem representada no poder legislativo estadual e federal. Vamos desmistificar essa história de que Assis é "terra de trouxa". Não é, não senhor! 

 *Dagoberto Nogueira é fotografo e editor do umdoistres.