MARCHA COM JESUS

Por Alcindo Garcia*

Na semana passada a Igreja Católica comemorou o Dia de Corpus Christi com procissões que percorreram ruas decoradas com tapetes por todas as cidades brasileiras, transportando o Corpo de Deus em Ostensório levado às ruas pelos sacerdotes. A primeira procissão levando o corpo, alma e divindade de Jesus ocorreu desde a cidade de Nazaré até a cidadezinha de Ain-Karin e demorou seis dias de caminhada, quando Maria grávida com Jesus no seio, foi visitar Isabel, como se fosse um Ostensório Vivo neste percurso em companhia de José. Uma procissão que percorreu estradas difíceis, através de montanhas, com dificuldades para uma mulher grávida. Era Jesus transportado no seio de Maria. No século XIII o Papa Urbano à vista de um milagre eucarístico, oficializou a comemoração que já dura mais de 700 anos.
Depois de tantos séculos desta comemoração católica, nossos irmãos evangélicos da seita do Casal Hernandes resolveram promover no mesmo dia em que comemoramos Corpus Christi o movimento “A Marcha Para Jesus” com sucesso, reunindo milhões de pessoas de vários credos. Nós católicos apoiamos o movimento desses nossos irmãos separados.
Infelizmente na ”Marcha Para Jesus” deste ano um tal de “Fernandinho” cantor evangélico aproveitou o Trio Elétrico para tirar o brilho do evento que se diz em louvor a Jesus para ofender os católicos berrando ao microfone que o “Brasil não tem uma senhora mas é de Jesus e não de Nossa Senhora”. Em primeiro lugar ele deveria saber que o feriado de Corpus Christi só existe por causa da Igreja Católica. Neste ano aproveitaram um feriado católico, para atingir os católicos. Nada mais incoerente, afirmou o Padre Gabriel Vila Verde nas redes sociais. Do ponto de vista social considero verdadeira intolerância religiosa, digna de ser repudiada pelos irmãos evangélicos sérios.
Para a maioria dos irmãos evangélicos Maria foi mãe de Jesus e viveu um papel relevante na vida do Filho e merece por isso mesmo ser tratada como mãe pelos cristãos. Martinho Luthero, o monge que se separou da Igreja Católica para fundar o protestantismo em 1517, de onde surgiram milhares de denominações evangélicas, morreu como devoto fiel de Maria, mãe de Jesus. Tenho absoluta certeza de que os nossos irmãos evangélicos sérios também repudiam a atitude do intolerante que deslustrou a “Marcha Para Jesus”.
Nas nossas procissões de Corpus Christi nós católicos há 700 anos também promovemos uma marcha. A diferença é que em vez de Marcha para Jesus, a nossa é MARCHA COM JESUS.


*Alcindo Garcia é Jornalista - e-mail: alcindogarcia@uol.com.br)