Como não sei rezar só queria mostrar... meu olhar, meu olhar, meu olhar...(Renato Teixeira, em Romaria)

À jovem senhora da minha aldeia

Por Daniel Pereira*

Ainda eras pequena indomável quando,

Pés descalços, forasteiro envergonhado,

Vasculhei os labirintos do teu corpo.


Tu os escancarava, sem pejo e pudor,

Mais que insinuando: pode entrar,

Fique à vontade, a casa é sua.


Meninote, imberbe e introvertido,

Escaneei todas as curvas invisíveis de tua silhueta,

Transitei pelos atalhos mais obscuros da tua alma,


Fiz vistas grossas à tua conservadora mania de viver.

Pois é justo lembrar que tu, anfitriã dos meus sonhos,

Não guardavas segredos de alcova.


Incrível que, tanto tempo depois,

Ainda guardo de ti o aroma das madrugadas,

Das inocentes boemias, divagações à luz da lua,

A que me arrastavas em jornadas inebriantes


Saiba pois, velha amiga e confidente,

Que trago de ti as lições do bem e do mal.

Eterno aprendiz, hoje quero retribuir:

Gratidão, senhora! És para sempre um pedaço de mim,

Daniel Pereira - jornalista e escritor
11 – 97660-4588
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