CARTAZES QUE ASSUSTAM!..

Por Alcindo Garcia*

Tenho o costume de observar cartazes. Acho alguns divertidos. Na entrada de uma cidade um outdoor me chamou a atenção. Propaga o nome de um candidato, militar da reserva, do tempo da ditadura. Tempo em que censuraram a imprensa e perseguiram a minha igreja. Fecharam a Rádio 9 de Julho que pertencia a Arquidiocese de São Paulo, da qual eu era um dos jornalistas. Fizeram isso para calar a emissora. Ela denunciava as torturas contra jornalistas e estudantes. Por isso alguns outdoors me assustam, pois parece que ainda tem gente saudosa da ditadura.
Para os não afeiçoados em publicidade outdoor é um tipo de cartaz que serve de instrumento de propaganda exposta em via pública. Os outdoors têm poder de comunicação visual e leitura instantânea e são colocados em locais de boa visibilidade, como o que me assustou na entrada da cidade.
Fiasco é quando escrevem com o português errado. Em comunicação, seja qual for o tipo de mídia, escrever errado é um desastre. Cochilos acontecem. Mas, em se tratando de um outdoor, um cochilo de dez metros por quatro é pouco menor do que a anta da empresa que produziu a pérola. Como no caso das eleições passadas certo candidato afixou um outdoor perto de casa: “Vote em fulano, você sabe porque”? Com o porque emendado O certo seria: “você sabe por quê”? (o por que separado). Não avisaram ao candidato que sempre que houver relação com um motivo, usam-se duas palavras separadas: por e que. Se estiver em final de frase, ou seguido de pausa, acentua-se o quê, portanto nesse caso é tônico. Por quê. Separadinho da silva e ainda com chapeuzinho.
O outdoor na entrada da cidade fez-me lembrar de outros. Em algumas estradas, certos avisos de advertência me assustam de medo da colisão. Fico imaginando a ousadia da concessionária da estrada ao colocar o aviso: “Conserve a direita”. O certo seria “Conserve-se à direita”. É preciso avisar as autoridades do trânsito que o verbo conservar é pronominal no sentido de permanecer, ficar, continuar. Portanto, “Conserve-se à direita” ou seja permaneça, fique, continue à direita. Se não estou enganado deve ser essa a recomendação que a concessionária desejaria passar aos motoristas.
Para finalizar, cataloguei alguns cartazes caipiras em entradas de sítios e fazendas que vale a pena registrar: “Vende mer de abêia”, “Trave a portêra dispoi de passar”, “Não dar comida pra zavestruis” e “Favor não atazanar os ganso”.

*Alcindo Garcia é Jornalista e-mail:alcindogarcia@uol.com.br