Os Marcondes

Por Professor Nelsinho*


Estando fora da cidade, causa-me espanto quando chega a notícia de que algum amigo partiu para outra dimensão. Recentemente, foi o Vivaldi. Filho de Nelson Marcondes, este que, pelo trabalho, angariou uma infinidade de bens, certa vez me disse, em plena Av. Rui Barbosa, que o Dr. Zezinho estava doente e ele preocupado. Parece-me que o Dr. Zezinho, aquele médico que construiu o Hospital que leva seu nome, foi também político, mas bem modesto. Nada de carreatas pelo nordeste da cidade, nada de lenço vermelho no pescoço, nada de associação com petroleiros, apenas, em determinada época, prefeito de Assis. Tal qual o Tufi Jubran, que entrou na Prefeitura, deu seu recado, fez o possível e saiu, mas pobre do que entrou. Nada de Petrobrás, nada de mensalão e nada de corrupção. Assim, também, o Dr. Zezinho. Passou pela Prefeitura e não mais se candidatou, nem para vereador, nem mesmo para síndico de prédio. Pode ser que ele tenha se cansado dos políticos, quase todos mentirosos, pode ser que a idade do descanso chegou rapidamente ou ficou decepcionado com ela. Voltemos ao Nelson que embarcou antes dele, deixando um patrimônio imenso para o Vivaldi e irmã. Tenho certeza que a parte dela ficou segura, mas a dele tenho minhas dúvidas. Quando indaguei de algumas chácaras nas proximidades do Xereta, a resposta foi de que foram vendidas. Quando a casa, excelente casa, no mesmo local, também foi transferida. Não acreditam? É só examinar o CRI, Cartório de Registro de Imóveis. Tenho certeza que se o Nelson estivesse vivo, nem um só graveto seria transferido. Ele era um conservador. Mas que fazer? Os pais trabalham para os filhos e o produto adquirido é só para eles. Um pai cioso, como o Nelson, só faria isso. E recebendo a herança, que Prudhon chama de roubo, os filhos podem fazer dela o que bem entenderem. Ninguém pode reclamar. Comentar, pode. Alguém me perguntou como soube disso tudo: Resposta, na agência da Lanchonete Central, por onde passam todos os assuntos de interesse dos cidadãos. Ninguém pode dizer que o Nelson não gostava da cidade. Foi vereador, na época em que eles não tinham salário, e ele trabalhou e muito para a população. Entendo que um dos presidentes da chamada revolução de 64 é que determinou que os vereadores fossem remunerados. Foi um grande mal. De, graça, suavam a camisa porque amavam a cidade. Hoje, suam as camisas por causa do salário, causando inveja até aos professores. Uma vez por semana. Uma vez só, o trabalho. Quem ama Assis, como Nelson amou, regozija-se com a urbe, aplica seu dinheiro na cidade, constrói e mora aqui. Como ele. Há alguns anos deixei Assis, mas não a abandonei, como muitos fizeram. Foram para outras cidades e venderam tudo, nem mais se lembram dos amigos. Mantenho meu apartamento no edifício Florença e sempre que posso venho para cá. Que felicidade encontra-me com os condôminos, com o síndico (ou sindica), com o porteiro, com as moças da limpeza, com seu Mário, santista roxo, e com todos os moradores sempre sorridentes. A paz reina no local. Todos se curtem e se reúnem na Catedral, para a missa, Na Hippo, logo ali, para uma Pizza Portuguesa, com certeza, e um chopinho- claro ou escuro – bem geladinho. Confesso que devido a negócios que tenho entabulado em Ariquemes, estou demorando um pouco para curtir férias na cidade ( Princesa da Sorocabana, não é mais pois Sorocabana virou Fepasa, Cidade Fraternal ? – confirme Luiz Gonzaga, o simpaticíssimo Jovem dos Correios-. Não importa, a cidade está sempre em festa, a Lanchonete Central com o café quentinho, O Shoping com a Praça da Alimentação, a Av. Rui Barbosa fervilhando de gente e a lotérica dos filhos do Lori, este, que, infelizmente se foi, onde se pode fazer uma fezinha na Mega Sena, com o atendimento de moças bonitas e as Lojas sempre tão bem arrumadas, um convite para o consumo. Se é verdade, como dizem principalmente os forasteiros, que o Brasil, apesar dos deputados, é o melhor país para se viver, a cidade de Assis é a melhor do mundo.Não acreditam? Visitem o Afeganistão, a Síria ou o Iraque e vocês saberão o que é bom para a tosse.

*Nelson Henri - nelson.henri@uol.bom.br