Evite dez erros comuns de quem descobre que foi traído

A decepção, a raiva e a dor que uma pessoa traída sente podem ser tão intensas que a razão dá lugar à emoção. Com isso, muitas atitudes impróprias podem ser tomadas. É importante tentar exercer o autocontrole para evitar arrependimentos. Veja, segundo especialistas, quais são os erros comuns que não devem ser cometidos diante da descoberta de uma infidelidade.

Por Heloísa Noronha, do UOL, em São Paulo

DEIXAR QUE A FÚRIA IMPEÇA UMA CONVERSA: de acordo com a psicoterapeuta Sandra Samaritano, de São Paulo, especialista em terapia de casal, é importante que no momento da descoberta haja uma reflexão. "Segure seus impulsos e pense sobre o que está acontecendo com a relação. Questione-se, reflita, fique só e tome a decisão equilibrada de conversar com par. O diálogo é fundamental para reescrever o que não está bom e poder chegar a um consenso, seja qual for a conclusão", explica. Tente controlar o impulso de culpar, xingar, trocar farpas. Lembre-se:
diálogo é simplesmente um ouvir o outro como depoimento, e não como acusação, além de poder trocar e saber o que acontece na relação sob o ponto de vista de ambos.

FINGIR QUE NÃO DESCOBRIU NADA: após a descoberta, não chamar o parceiro para conversar a respeito não é uma solução, como muitos pensam, mas sim "varrer a sujeira para baixo do tapete", pois, apesar de escondida, a questão ainda existe. "Esse é um erro comum que as pessoas costumam cometer por medo de refletirem sobre a relação. E isso pode causar vários problemas futuros", fala a psicoterapeuta Sandra Samaritano, de São Paulo (SP), especialista em terapia de casal.

CONTAR PARA TODAS AS PESSOAS DO CONVÍVIO: "Por que atormentar parentes, amigos e colegas de trabalho com uma questão que só diz respeito ao casal? A tendência é que as pessoas sintam raiva de quem traiu e pena de você, que está se colocando no papel de vítima. E se depois vocês decidirem continuar o relacionamento, todo mundo fica em uma situação bem delicada", afirma a psicoterapeuta Carmen Cerqueira Cesar, de São Paulo (SP).

JOGAR OS FILHOS CONTRA O PAR: embora vocês formem uma família, é importante separar os papéis de marido e mulher dos papéis de pais. "Filhos não são confidentes, amiguinhos ou terapeutas. Merecem e precisam ser preservados dos problemas do casal, por isso, nada de tentar forçá-los a ficar do seu lado e contra o outro", diz a psicoterapeuta Carmen Cerqueira Cesar.

CULPAR APENAS OS OUTROS: quando somos traídos, a tendência é colocar a culpa apenas no outro e/ou na pessoa com quem seu par traiu você. "Ninguém é vítima de sedutores inescrupulosos que enfeitiçam nossos companheiros se eles não desejarem ou estiverem dispostos a se envolver", afirma a psicóloga Sandra Monice, do Espaço Triskell de Psicologia e Psicanálise, de São Caetano do Sul (SP). E mais: é importante, também, refletir sobre a sua parcela de responsabilidade pelo ocorrido.

PROCURAR O "RIVAL": Ir atrás do amante do par para tomar satisfações é uma atitude valorizada apenas nas novelas ou nos filmes. "Na vida real, você estará se expondo desnecessariamente. E o problema não é a outra pessoa, mas a sua relação com seu par. Tente entender o que está acontecendo para resolver a questão entre o casal, em vez de distribuir culpas", fala a psicoterapeuta Carmen Cerqueira Cesar.

SENTIR-SE INFERIOR: a traição ocorre pelos mais diferentes motivos. No entanto, quase sempre a pessoa traída acaba se perguntando "onde foi que eu errei?", e a resposta vem carregada de dúvidas sobre a própria capacidade de satisfazer o outro. "A falta de confiança em si mesmo é perigosa e piora a situação. Deixa qualquer um ainda mais para baixo. Não permita isso e procure sempre atender primeiro às suas expectativas", afirma a psicóloga Sandra Monice.

BANCAR O DETETIVE: nada de ficar esperando o parceiro entrar no banho ou dormir para que você possa fuçar no celular, computador, rede social, mensagens etc. Evite caçar informações que só aumentem a sua dor. "Virar detetive só servirá para criar mais neuroses, gerando cada vez mais angústia e ansiedade", explica Raquel Fernandes Marques, psicóloga da Clínica Anime, de São Paulo (SP). Nada justifica invadir a privacidade alheia, nem uma traição. Se a confiança acabou, reveja suas escolhas e repense se vale a pena continuar com a relação.

ARMAR "BARRACOS": para a psicoterapeuta Carmen Cerqueira Cesar, tomar qualquer atitude no calor da emoção só pode piorar ainda mais a situação, além de provocar uma exposição desnecessária da vida íntima do casal e, no caso dos que têm filhos, causa dor e sofrimento. "Nada de jogar roupas pela janela, trocar a fechadura da porta e dizer 'de agora em diante, só falo com você através do meu advogado'", ainda mais se não houve diálogo e você nem sequer sabe ao certo o que houve. Tente conversar, falar de seus sentimentos, ouvir o outro e saber o que realmente aconteceu", diz ela.

PERDOAR SEM ESQUECER: se você resolveu perdoar a traição e continuar no relacionamento, esqueça e enterre o ocorrido. Não adianta ficar o resto da vida remoendo a história e relembrando o deslize a cada briga de casal. "Isso só tende a transformar a vida de ambos em um tormento", afirma a psicóloga Sandra Monice. Portanto, siga em frente.