Paulinho Calçados

Por Dagoberto Nogueira*

Foi nos anos oitenta quando fui num famoso restaurante na Av. Afonso Pena, região central de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Naquela época passei uma temporada naquele estado me aventurando. Fui convidado por um conhecido para almoçar num restaurante com um grupo de pessoas. Chegamos e fomos recebidos com festa pelo pessoal que nos aguardava. Nem bem sentamos e nossa grande mesa começou a ser servida. Ninguém na mesa conversava, gritava! Coisa de sul-matogrossense. Depois de horas de "comilança" percebi que estava sendo observado atentamente, toda vez que eu falava alguma coisa com meu forte sotaque "nér". A principio fiquei meio preocupado pois, as garrafas vazias de cerveja dominavam o cenário na grande mesa. Foi neste ambiente festivo e amigável que o tal que me observava levantou - o cara tinha quase dois metros de altura e um bigode maior que o meu - e sentou-se ao meu lado. Olhou-me atentamente sério e depois sorriu perguntando qual minha origem. Meio assustado, mas sem perder a pose respondi que era paulista da cidade de Assis. Sem cerimônias, o sujeito enfiou a mão no bolso da minha camisa, puxou perto do nariz, olhou dentro e falou que eu estava mentindo e que eu não era de Assis pois não tinha o carnê do Paulinho Calçados no bolso. Assim dizendo levantou-se voltando para seu lugar continuando a festa. Terminada a "orgia gastronômica", na saída do restaurante não aguentei cheguei no imenso sujeito e disse que não tinha entendido a história do carnê. Ele me respondeu que para saber quem é assisense de verdade é só conferir se tem o carnê do Paulinho Calçados no bolso. Mais tarde fiquei sabendo que o tal grandão é casado com uma assisense e sempre visita os familiares da esposa em Assis onde conheceu esta historia sobre o carnê da mais popular loja de calçados de nossa cidade a Paulinho "AU AU" Calçados.

*Dagoberto Nogueira é produtor e editor do www.umdoistres.com.br

Obs. Nos últimos anos de sua vida, toda vez que Paulinho me avistava, me chamava aos gritos e pedia para eu contar esta história a todos os presentes que ficavam em silencio prestando atenção. Ele se divertia muito e ficava muito feliz. É claro que nossos encontros sempre acabavam numa cerveja. Saudades!