Veja como lidar com dez tipos de chefe

Mesmo os aparentemente inofensivos, como o amigão ou o bonzinho, podem ter atitudes tão nocivas quanto às dos declaradamente perniciosos, como o autoritário e o centralizador. Todo chefe tem suas peculiaridades e se você quer trilhar uma carreira de sucesso precisa contorná-las, driblá-las ou enfrentá-las. Com as dicas valiosas dos consultores entrevistados por UOL Comportamento será possível aprender as regras do jogo, confira!


PERFECCIONISTA: o chefe com esse perfil normalmente apresenta um elevado padrão de desempenho, porém demonstra dificuldade em delegar. "Ele tem dificuldade em confiar nas decisões alheias, por considerar que nem todos são capazes de realizar as tarefas do mesmo jeito que faria”, comenta Sylvia Ignácio da Costa, coordenadora do curso superior de Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos da Universidade Anhembi Morumbi, de São Paulo (SP). São pessoas que têm necessidade de revisar em excesso o mesmo trabalho, inclusive pedindo que a equipe o refaça e/ou ajuste por diversas vezes. A melhor maneira de lidar com um chefe perfeccionista é tentar antecipar-se às suas preocupações e apresentar soluções prontas. "Demonstre segurança nos argumentos e seja detalhista nas explicações", orienta Ylana Miller, sócia-diretora da consultoria organizacional e de carreira Yluminarh, do Rio de Janeiro (RJ), e professora de gestão de carreiras da faculdade Ibmec, também na capital carioca. Provavelmente, ao perceber sua capacidade, o chefe começará a lhe dar maior autonomia.

AMIGÃO: ele faz questão de deixar claro que não existem barreiras entre vocês, pois o trata como alguém muito próximo. Talvez sua intenção seja ganhar sua confiança, mostrando que pode lhe dar apoio em qualquer aspecto da vida. "Por outro lado, é possível que ele também considere a amizade uma forma para obter informações que em situações normais não conseguiria", fala Ylana Miller, sócia-diretora da consultoria organizacional e de carreira Yluminarh, do Rio de Janeiro. Independente do objetivo, não raro, são chefes do tipo "entrão", ou seja, indiscretos, curiosos... Para Izabel Failde, psicóloga organizacional e orientadora de carreiras, de São Paulo (SP), esse comportamento tem a ver com a presença ou ausência de limites. "Delicada e constantemente vá colocando suas medidas de aproximação. Responda às perguntas sem entrar em detalhes sobre sua vida. E jamais pergunte, por exemplo, o que o chefe fez no fim de semana", diz Izabel, que lembra que relacionamentos profissionais estabelecidos nessas bases não costumam ter finais felizes para ambos os lados, por isso, observar e agir rapidamente é essencial.

AUTORITÁRIO: infelizmente o velho ditado "manda quem pode, obedece quem tem juízo" ainda figura nas cabeças de muitos chefes. Na opinião de Izabel Failde, psicóloga organizacional, antes de mais nada o chefe autoritário precisa de compreensão, porque é bem possível que seja uma pessoa sensível e frágil demais, por isso se defende com o autoritarismo. "Trata-se de alguém que pratica literalmente a tática 'o ataque é a melhor defesa'. Ele costuma agredir antes de ser agredido e reage antes que lhe façam alguma pergunta que não saiba responder", explica ela, que classifica-os em dois tipos, os extremos e os flexíveis. Os primeiros não costumam ouvir ou considerar nada que não venha de si próprio. São os chamados tiranos, que além de autoritários, podem ser injustos e até cruéis. Não há muito o que fazer a não ser praticar a resiliência e o equilíbrio. "Paralelamente, reflita se esse é o melhor setor para trabalhar ou se a empresa merece seu esforço", diz. A dica para lidar com os autoritários do grupo flexível é ser sempre verdadeiro e educado em tudo o que disser. Isso vai permitir que, aos poucos, conquiste sua confiança. O autoritarismo vai dar lugar à firmeza, porque você será ouvido e, principalmente, respeitado.

BONZINHO: de acordo com Sylvia Ignácio da Costa, coordenadora do curso superior de Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos da Universidade Anhembi Morumbi, de São Paulo, é importante compreender a diferença entre o chefe bonzinho e o bom chefe. O segundo busca orientar, direcionar, estimular e incentivar os seus colaboradores, atuando como líder. "O bonzinho é aquele que exagera nas suas ações e que faz questão de demonstrar que é um chefe legal. Não sabe dizer não, evita conflitos, pode não assumir as responsabilidades quando a equipe comete enganos, coloca-se na posição de vítima quando tem que tomar alguma atitude que possa desagradar e gosta de ser reconhecido pela sua bondade", explica. Mais uma vez, é preciso saber impor uma distância segura. Demonstre que considera importante a proximidade entre chefia e funcionário, mas que também sabe os limites dessa relação. Realize o seu trabalho com competência, mantenha a postura profissional e, por mais tentador que seja, evite tirar proveito das circunstâncias.

WORKAHOLIC: existem dois tipos de chefes viciados em trabalho: aquele que é dependente do trabalho sozinho, por conta própria, e aquele que, além de trabalhar demais, exige que todos façam o mesmo. Obviamente, é mais fácil relacionar-se com o solitário, pois ao final do expediente todos vão para casa e ele fica na empresa --ou chega mais cedo que todos-- sem cobrar tal dedicação dos demais. Desde que, é claro, você tenha plena consciência do bom cumprimento de suas funções e não se sinta culpado por não acompanhar o ritmo dele. Já o workaholic que exige o mesmo de sua equipe costuma ter graves problemas de relacionamento e acaba sugando as energias da equipe, dentro e fora da empresa. "O ideal é colocar seus limites individuais com sabedoria e assertividade. Diga o que você pode fazer, ao invés do que não pode, e seja extremamente produtivo durante seu período de trabalho. Assim ele não terá argumentos para exigir que sua carga de trabalho se estenda ou, pior, determine que você leve trabalho para casa", afirma Izabel Failde, psicóloga organizacional e orientadora de carreiras, de São Paulo.

CENTRALIZADOR: faz questão de estar a par de tudo o que acontece, infernizando o trabalho alheio. Assim como o perfeccionista, não consegue delegar atividades, pois receia perder a sua posição ou que as pessoas não consigam realizar o trabalho com competência, como ele. Centraliza as decisões e não gosta que discordem da sua forma de agir. "O centralizador considera-se, na maioria das vezes, aquele que conhece tudo e portanto, apresenta dificuldade em considerar o trabalho dos demais", diz Sylvia Ignácio da Costa, coordenadora do curso superior de Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos da Universidade Anhembi Morumbi. O grande risco de trabalhar com alguém assim é não conseguir se desenvolver ou ter visibilidade na empresa. Se o seu chefe corresponde a esse perfil, tente mantê-lo informado de seus procedimentos e busque atingir as expectativas dele. Evite, ainda, expor suas posições de forma rígida. "Outra estratégia certeira é fazê-lo enxergar a importância da contribuição dele para a performance do departamento ao deixar a parte operacional com a equipe", declara Lúcia de Almeida, sócia da MSA Recursos Humanos, com unidades em São Paulo, Minas Geais e no Rio de Janeiro.

PARANOICO: "Ao contrário do bonzinho, que valoriza excessivamente os relacionamentos interpessoais, o paranoico só pensa em números e resultados, o que deixa a equipe vulnerável e estressada", fala o consultor André Ortiz, professor dos programas de MBA da IBE-FGV (Institute Business Education -- Fundação Getulio Vargas). Sua principal característica, no entanto, é achar o tempo todo que as pessoas querem "lhe passar a perna" ou "ocupar o seu lugar". A desconfiança exacerbada provoca dificuldades de relacionamento. "Ele volta e meia considera determinadas atitudes dos funcionários como uma maneira de desafiá-lo e decide dar o troco, tornando a convivência bem difícil", conta Sylvia Ignácio da Costa, coordenadora do curso superior de Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos da Universidade Anhembi Morumbi, de São Paulo. Contar até dez, cem ou mil, se necessário, é fator de sobrevivência se deseja manter o emprego. Jamais tente desafiá-lo e, mesmo que não considere suas ideias as mais corretas, não o desaprove. Mantenha uma conversa suave e respeitosa e procure amenizar as ideias obsessivas dele provando competência.

INCONSTANTE: as características clássicas são, em algumas situações, a rispidez e o autoritarismo e, em outras, a sociabilidade e o bom humor. "Age conforme a situação e de acordo com o que lhe é mais adequado. Pode mudar rapidamente de postura frente a diferentes pessoas e opiniões. Notadamente inseguro, altera o princípio do equilíbrio das relações e você nunca sabe se irá encontrar o 'médico' ou o 'monstro'", observa Lúcia de Almeida, sócia da MSA Recursos Humanos. "É essencial aprender a detectar o momento propício para expor ideias, dar sugestões e, em especial, de quando deverá tratar as questões mais complicadas ou negociações difíceis", completa Ylana Miller, sócia-diretora da consultoria organizacional e de carreira Yluminarh, do Rio de Janeiro. Na opinião do consultor André Ortiz, professor dos programas de MBA da IBE-FGV, trata-se de alguém não só imaturo para o cargo como que precisa se conhecer melhor como pessoa e profissional. "O pior é que dificilmente dá para confiar nesse tipo de líder, que pela sua postura perde a confiança e o respeito equipe. O melhor a fazer é ficar em silêncio e esperar que ele tome a iniciativa, para evitar desgastes e embates desnecessários", diz.

ANSIOSO: a ansiedade é um estado que se antecipa a um momento de perigo, seja ele real ou imaginário. O chefe ansioso está em constante alerta para a ocorrência de algo ruim. Ele não consegue controlar o medo do fracasso; é nervoso, impaciente, desconfiado e lidera com muita dificuldade. "Seu receio de que algo dê errado faz com que dramatize todas as situações-problema, chegando ao ponto de levantar hipóteses de conspiração, impactando negativamente a equipe pela desconfiança", explica Lúcia de Almeida, sócia da MSA Recursos Humanos, com unidades em São Paulo, Minas Geais e no Rio de Janeiro. Assim como o centralizador, ele precisa estar a par de toda a rotina de trabalho, de forma a reduzir a ansiedade. Mantê-lo informado do andamento das tarefas, principalmente dos projetos mais difíceis e importantes, pode ser uma boa alternativa para amenizar suas inseguranças.

AUSENTE: é aquele que dificilmente se posiciona diante das situações diárias, não acompanha o desenvolvimento do trabalho e evita feedbacks. Em muitos casos, só fala para criticar, tornando a equipe desmotivada. Desorganização é um dos ponto-chave para esse comportamento, que nem sempre é percebido pelo profissional. "Ele acredita que está delegando, ou dando liberdade de trabalho e autonomia, mas a verdade é que está ocupado demais com assuntos pessoais e não se importa com os resultados profissionais. É procrastinador por estar desinteressado das atividades que desempenha. Não está preparado para ser líder e, por isso, foge das responsabilidades", fala o consultor André Ortiz, professor da FGV . É fácil lidar com ele, pois geralmente não é uma pessoa difícil de temperamento. Seu maior problema é a ausência, que atrapalha os resultados e compromete os demais. "É essencial não agir da mesma forma. Busque interação e explique que a presença do chefe é essencial para os resultados da equipe”, sugere Ylana Miller, sócia-diretora da consultoria organizacional Yluminarh, do Rio de Janeiro.


Fonte: http://mulher.uol.com.br/comportamento/album/2015/01/05/veja-como-lidar-com-dez-tipos-de-chefe.htm